Estudo indica caminhos para popularizar alimentos com insetos

Brasília, 30 de março de 2026.

Uma pesquisa recente da Embrapa mostrou que a combinação certa de informação e apresentação pode fazer toda a diferença na hora de experimentar novos alimentos. Por exemplo: quando produtos à base de farinha de insetos vêm acompanhados de imagens apetitosas e mensagens que destacam os benefícios para a saúde e o sabor, a resistência das pessoas diminui e a curiosidade cresce. 

E tem um detalhe curioso observado durante os testes: quem recebeu informações sobre saúde não só ficou mais disposto a provar, como também passou a enxergar esses alimentos como opções mais sustentáveis do que as fontes convencionais de carne. Ou seja, o “estranho” começa a ganhar pontos quando entra em cena o argumento do bem-estar pessoal e do planeta.

Pesquisa realizada pela Embrapa mostra que recursos textuais aliados a imagens dos produtos podem contribuir para reduzir a neofobia alimentar. - Foto: Kadijah Suleiman

Para neutralizar a neofobia alimentar – relutância em consumir comida desconhecida –, a pesquisa utilizou um velho conhecido do brasileiro: o biscoito. “A escolha por biscoitos levou em consideração que esse tipo de alimento é familiar no Brasil e diversos autores relatam a familiaridade como um fator que impulsiona não apenas a aceitação, mas também a disposição para experimentar e comprar produtos à base de insetos”, explica a engenheira de alimentos e pesquisadora da Embrapa Rosires Deliza, ao comentar que os resultados do experimento foram observados a partir de dois estudos, um deles com a degustação de biscoitos de farinha de insetos, em um supermercado no Rio de Janeiro.

Teste realizado em supermercado e, à direita, a engenheira de alimentos e pesquisadora da Embrapa Rosires Deliza. - Fotos: Ivan Alcântara (esq.) e Kadijah Suleiman (dir.)

Tudo isso acontece em um contexto maior, marcado pela busca por alternativas mais sustentáveis do que as proteínas tradicionais, já que o modelo atual de consumo de carne levanta preocupações ambientais no mundo todo. Neste cenário, a pesquisa levou em consideração o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2021-2030 - Perspectivas para a Agricultura 2021-2030 - da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A coordenadora do estudo salienta que os insetos não são coletados de forma aleatória. “São criados especificamente para esse fim, de forma higiênica e com controle microbiológico, uma vez que não se pode expor o consumidor a nenhum risco”, pontua Deliza. 

Dados podem subsidiar legislação
A pesquisadora da Embrapa observa ainda que os dados levantados a partir desses estudos podem subsidiar o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de legislação sobre o consumo de alimentos à base de insetos no Brasil. “Além disso, as informações dessa pesquisa podem ser úteis para profissionais de marketing, desenvolvedores de produtos e formuladores de políticas focados na promoção de opções alimentares sustentáveis e na expansão do mercado de alimentos à base de insetos”, sugere a engenheira com pós-doutorado em Análise Sensorial e Estudos do Consumidor no INRA (Institut National de la Recherche Agronomique), na França, que já foi citada no ranking dos 2% de pesquisadores mais influentes do mundo, conforme estudo da Universidade Stanford (EUA).

Para conhecer os detalhes do estudo coordenado pela engenheira de alimentos Rosires Deliza, acesse o artigo publicado no Journal of Sensory Studies, intitulado Sustainable Bites: can health goal framing and perceived sustainability reduce the impact of food neophobia on the intention to purchase insect-based products?


Edição: Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea, com informações da Agência Embrapa